sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

A nossa indignação é uma mosca sem asas.

Como a tranqüilidade é um artigo de luxo supremo no século 21, desde quarta-feira tenho de pagar pedágio para me deslocar míseros 16 km para chegar ao trabalho - o que prova que todo mundo pode sempre ser mais feito de otário do que já é. E a questão não se limita tão-somente ao fato de eu ter de desembolsar meu escasso e suado dinheirinho todos os dias; acontece que agora também enfrento filas intermináveis para conseguir pagar a tal cobrança do mal. Assim, o trajeto que antes era tranqüilo tornou-se um caos: pessoas buzinando nas filas, atendentes despreparadas, poucos guichês de cobrança. Pra piorar, a Anhangüera, normalmente de fluxo tranqüilo, tornou-se um reduto de caminhoneiros que desviam dos pedágios, o que transforma a rodovia em um verdadeiro pesadelo. Agora, eu, que sempre me senti semifeliz por morar nos marasmásticos confins do universo, tenho trânsito na porta de casa!

Mas deixa eu explicar direitinho a situação, já que o problema é mais sério e complexo do que minha indignação pessoal - que se resume a esta postagem e a alguns impropérios emitidos enquanto resmungo com uns camaradas. A princípio, o qüiprocó se deve à ilegalidade do pedágio: de acordo com uma lei vigente desde 1953, não é permitido instalar praças de pedágio num raio de até 35 km do marco zero da cidade - neste caso, a Sé. Como as praças instaladas pela CCR no Rodoanel atingem, no máximo, 28 km desse ponto, a empreitada é ilegal. Inclusive o deputado estadual Carlos Gianazzi (PSOL), entrou este mês (dia 11) com uma representação versando sobre a cobrança indevida, mas dificilmente vai dar algum resultado. Nos primórdios do projeto (governo Covas), foi prometido que não haveria a instalação de praças de pedágio. Hoje, no entanto, não só o trecho foi concedido e está com uma série de postos de cobrança em todas as suas saídas como a obra ainda não foi concluída, tornando-se assim eterna promessa de campanha do PSDB.

Segue a eterna lógica política: a promessa de hoje é o esquecimento oportuno de amanhã. E dá-lhe pedágios, estresse, sentimento de impotência, indignação.