terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Manifesto da ex-mulher.

Creazione di Adamo (1511), Michelangelo














Sabe o que é uma coisa chata pra diabo? Ser mulher. E não estou falando do óbvio - menstruação, parto, depilação - mas, sim, das pequenas mulherzices de cada dia. Essa coisinha que a maioria das mulheres tem de querer disputar tudo (dependendo do nível de elegância, isso pode ser mais ou menos evidente), de sobressair, de ficar falsamente feliz com a alegria da outra (porque a verdade é que a maioria tende a utilizar substantivos do reino animal para adjetivar as mulheres felizes e bem-resolvidas em seu entorno) e essas coisinhas todas tediosas, terrivelmente tediosas. Os joguinhos entre elas, a dissimulação para parecerem muito nobres à vista dos homens, as pequenas sacanagens umas com as outras, a falsa prestatividade, as invejas disfarçadas de ódio por algum motivo surreal, as pequenas difamações que a baixa autoestima leva a divulgar.

Já fui mulher. E por isso conheço muito bem todos os tipos que circulam pela praça e suas patéticas artimanhas. E é também por esse motivo que estou de saco cheio de (quase) todas elas e entendo - ah, como entendo! - porque um número cada vez maior de homens acaba optando por se relacionar com outros homens. Porque homem - à parte a insistência de alguns em vestir regatas cavadas, bermudas floridas e preferir futebol à própria vida - é a coisa mais descomplicada do mundo. Falam o que pensam entre si, não se sentem obrigados a elogiarem quando pensam as piores atrocidades, não riem só pra mostrar sabe-se-lá-o-quê, não ficam prestando atenção no que o colega de trabalho está fazendo no computador o dia todo nem ficam falando sobre como fulana prendeu o cabelo ou reclamando porque uma outra pintou a unha igual à sua. Não perdem tempo com fofocas perniciosas e mentiras deslavadas e querem mais é curtir a vida, sem criar mal-estar com ninguém. Sim, estou falando de mulherzinhas, dessa espécie pequena e cada vez mais comum. Dessas que, se te veem feliz, te acham uma fille facile; se você é reservada, te veem como arrogante blasée; se estão em seu reino de papel cultivando rosas de plásticos há anos, e você não dá a mínima pra isso, te acham marginal. Dessa estirpe contagiosa; dessas belezas compradas na perfumaria que enchem os olhos, mas embrulham o estômago.

É por isso que cansei de ser mulher, e fica aqui meu manifesto: sou uma ex-mulher. Continuo gostando de pintar as unhas, de vestido, sapato; continuo depilando as pernas, comprando perfumes e cremes; chorando igual a uma cretina por motivos cretinos. Mas sem essa de dramas baratos.

Com exceção das (pouquíssimas) amigas mulheres que tenho, que são verdadeiras joias raras e garimpadas que faço questão de manter por perto até a morte, quero distância das demais - das mulherzinhas -, porque ser mulherzinha é contagioso, e conviver com elas é simplesmente ser como todas as outras.

Hoje, só quero ser o que eu bem entender. Sou mais o Adão e sua sincera vontade de levar a Eva pra trás da moita.