quarta-feira, 25 de março de 2009

No mundo da lua.

Volta aos noticiários o assunto mais badalado de todos os tempos: o caso Isabella. Que, de fato, deve ser investigado e levado às últimas instâncias. Fato é que acho fabulosa a comoção pública em um caso de esfera individual e a falta de postura em outros casos de esfera coletiva. Enquanto a corrupção pública - que é um dos crimes mais hediondos da face da terra, pois desvia verbas, por exemplo, da saúde e de ações sociais, levando à morte algumas centenas de milhares de cidadãos - come solta pelas ruas e as pessoas tratam os políticos corruptos como comediantes (e vários programas de tevê cult fomentam essa ideia por meio de esquetes engraçadinhas), as pessoas choram e se comovem com imensa facilidade com cárceres e crimes privados, preferindo considerar a corrupção um desvio moral, e não um crime - o que é, de fato.

Não que crimes como o cometido contra Isabella não devam causar comoção; devem, afinal, é isso o que ainda nos diferencia dos animais. A questão é que a reação pública a casos assim parece funcionar mais como um brado de rejeição ao pior que cada um tem em si do que lucidez punitória perante um crime que exige punição - vide a reação oposta em casos de crimes relacionados aos cofres nacionais.

Enquanto aumentam vertiginosamente os casos de desvio de verbas administrativas e públicas, a maioria das pessoas se contenta em dizer apenas que "isso é um absurdo", preferindo poupar suas energias para protestar a plenos pulmões contra os grandes (?) criminosos da humanidade.

Há de se lembrar, no entanto, que os maiores criminosos da história não tiveram suas mãos sujas de sangue.