terça-feira, 28 de abril de 2009

A minha vida me ultrapassa em qualquer rota que eu faça.


Os Mutantes - Dois Mil e Um

Escolhi este ano pra chutar o pau da barraca geral, mas a coisa toda não está funcionando exatamente como planejei. Pedi as contas do meu emprego fixo pra viver de frila e comecei uma pós numa área nada a ver com o curso em que me formei. Também prometi a mim mesma que nunca mais iria trabalhar com coisas chatas nem a preço de banana. E uma vida imobiliária própria está há séculos na listinha de prioridades. A questão é que não está nada fácil conciliar minhas vontades com a bandidagem natural da vida real.

Como meu lance agora é prestação de serviços, fico a maior parte do tempo em casa trabalhando com isso. O problema é que, na impossibilidade de executar o projeto de ter o meu mais-do-que-na-hora canto próprio (por conta da instabilidade que minha recente vida de proletariado alternativo instaura), ainda moro com meus pais, que simplesmente não levam a sério a minha atual condição. A impressão que eu tenho é a de que acham que eu simplesmente enlouqueci, que não quero mais saber de trabalhar. Sendo que só mudei o formato: prefiro acordar, trazer minha xícara pro computador, ligar um sonzinho baixo e trabalhar até a hora que eu bem entender. Simples assim. Mas ninguém entende; o fato de eu trabalhar no computador simplesmente virou o fato de eu ficar o dia inteiro no computador. Não adianta falar que é trabalho. Esse é o primeiro problema.

O segundo é que, ao contrário do que pensei, viver de frila não facilita minha vida em relação aos estudos; pelo contrário, dificulta. Porque quando você depende de construir sua renda pra pagar as contas, você simplesmente vai aceitando os trabalhos que aparecem e, consequentemente, esses trabalhos são sua prioridade. Aliás, achei que estava em uma fase de priorizar os estudos e aquela coisa bonita toda, mas continuo a velha mercenária de sempre: gosto mesmo é de trabalhar. Se eu tiver uma prova hoje e um projeto que eu posso entregar só na semana que vem, vou optar pelo projeto. Também porque optei por trabalhar só com o que eu gosto, e eu digo: gosto mesmo do que faço. A questão é que vem todo aquele peso na consciência, porque estou fazendo um curso bacana que exige que eu me dedique e tal, só que não estou me dedicando, porque nunca fui muito de estudar. Aí fico pensando em por que diabos fui começar a fazer o curso, e por que diabos não estou levando a coisa toda como deveria.

Em resumo: as coisas não estão como eu planejei - o que não é nenhuma novidade. Minha vida sempre me atropela. A questão é que quero me ferrar sozinha, quebrar a cara. Quero conhecer o mundo, rodar por aí, ficar mais tempo com ma lil' fish. Mas cadê a condição sine qua non pra tudo isso? Não existe. Pura e simplesmente por culpa minha, que sou a personificação da tragicomédia no quesito "escolhendo prioridades".