quinta-feira, 18 de junho de 2009

Aldeotas.

Foto divulgação
Gero Camilo é daquelas figuras que passam uma sensação tão verdadeira em sua atuação que a impressão que se tem ao assistir Aldeotas é a de que a história ali narrada é, sem dúvida nenhuma, a dele próprio. Com ambiente minimalista e clima de fábula, a peça, escrita por Gero, mostra o reencontro aos 50 anos de dois amigos, Levi (Gero Camilo) e Elias (Caco Ciocler), em Coti das Fuças, fictícia cidade interiorana que ambienta os dias de infância e adolescência que precedem a fuga de um (Levi) e a desistência, na última hora, de outro (Elias), após a formatura de ambos. A história gira em torno das memórias das personagens, que relembram desde o jornal do colégio, produzido pelos dois (Levi é o poeta/escritor; Elias, o crítico/editor) por meio de um mimeógrafo enviado da cidade grande, até as dificuldades de relacionamento da personagem Elias com seu pai, passando pela descoberta da sexualidade. Dirigida por Cristiane Paoli-Quito, que cria partituras delicadas e eficientes entre personagens tão diferentes - Levi é uma figura etérea, leve, delicada; Elias, por sua vez, é forte, racional -, a peça mostra, sobretudo, um Gero Camilo fantástico, capaz de migrar, com simplicidade e sensibilidade (por meio de sua extrema habilidade e agilidade corporal) de criança que descobre, fascinada, o reino das formigas, a adulto maduro, de forma natural. A peça é tão bem estruturada que dá a impressão de que não precisou de estrutura nenhuma, de que tudo ali é natural, orgânico e criativamente improvisado. Vale a pena ver e rever muitas vezes.