segunda-feira, 22 de junho de 2009

Apenas o fim.

Foto divulgação
Assisti ontem ao filme Apenas o Fim e achei tão bacana, mas tão bacana, que hoje acordei toda cheia de sentimento bonito pelo cinema nacional (além de sentimental, acordei brega também).
O filme gira em torno da 1 hora que marca o fim de um namoro. Nesse tempo, o casal de namorados prestes a se separar - por conta da decisão da namorada de largar tudo e começar uma vida nova em um lugar não-revelado - circulam pelo campus da faculdade (a PUC-RJ) relembrando os bons momentos e discutindo a relação, com diálogos repletos de humor e referências à cultura pop. Com relação a esses aspectos, acho que ainda não tinha visto nada do gênero no cinema daqui (o que talvez se deva ao fato de eu fugir como o diabo da cruz de filmes cujo cartaz mostra a juventude bonita e brasileira fazendo o V da vitória em poses à RBD).
O filme reproduz de forma bastante eficiente a linguagem, as inquietações e as referências de uma geração, sem apelar pra temática engajada, politizada e reveladora que virou condição sine qua non no cinema nacional - levando muito filme equivocado a assumir um status de qualidade que não possui. Os atores são excelentes - com destaque pra Gregório Duvivier -, e o roteiro e a direção (do estreante Matheus Souza, de 19 anos) contemplam o essencial para que o filme sintetize com maestria a ideia de fim eterno que permeia uma geração que busca mais a satisfação de bons momentos fulgazes do que a sensação tranquila de eternidade. Nesse sentido, é feita com precisão e habilidade a oposição entre a namorada descolada, moderninha, que acredita que o rompimento é só o fim de algo que deixará boas lembranças e o namorado, Antonio, mais tradicional, romântico à moda antida que manda flores e que usa os óculos do avô, que tem dificuldades em aceitar o fim, por acreditar que o amor deva ser, por excelência, eterno (valor não mais atribuído à sua geração, o que o torna uma figura rara, única, diferenciada).
Mesmo pra quem não assistia a Pokemon, Cavaleiros do Zodíaco e nunca teve o mínimo interesse por boys band, o filme vai se mostrar um mosaico bem-construído de sensações da geração pós-anos 90, com humor sutil, verborrágico e com uma dose de melancolia marcada com precisão pela boa trilha sonora. A cena final, com a música Pois é (dos Los Hermanos), é de uma beleza incrível. Grata surpresa.