quarta-feira, 3 de junho de 2009

Foco é tudo nesta vida.

Porque desde segunda-feira eu não ingeri um único grama de açúcar, e aí acordei com um mau humor dos diabos hoje. Dos diabos. Pra piorar, fui dormir quase 4h da manhã, mas às 9h da madrugada tinha uma nanorapaziada batendo palmas insistentemente no portão, e aí eu, que me tornei o porteiro oficial da família Lima desde que resolvi trabalhar em casa, tive de arrastar meu pijama quentinho e minhas patéticas (porém eficazes) polainas rosas até o portão frio deste meu recanto selvagem de mata atlântica - porque criança é uma raça obstinada que é capaz de bater palmas e gritar até o fim da vida só pelo prazer obscuro de bater palmas e gritar até o fim da vida. Aí, sem doce na minha vidinha, não consigo sequer fingir que sou uma pessoa equilibrada, simpática e gentil, porque sem doce - e o pior: sem uma boa noite de 37h de sono ininterrupto - eu não sou ninguém, então já cheguei meio Bette Davis pra saber qual era a razão daquela sangria desatada da juventude mirim. Uma menina magrelinha de moletom branco e cachecol verde disse que ela e a rapaziadinha estavam colhendo "prendas para a quermesse da escola", e eu fiquei pasma de ouvir alguém falando "prenda" em pleno século 21. Um luxo. Mas vamos nos lembrar de que eu estava mal-humorada e potencialmente agressiva, porque não comi minha cota mínima diária de 6kg de doces nos dias anteriores. Então, só pra sacanear um pouco, disse pra criançada que só doaria prenda se alguém fosse capaz de soletrar a palavra "toxoplasmose" (porque, com sono e sem doce, eu viro megera e fico pagando de educadora mal-amada). E aí que os pequenos - eram 4 - pediram pra eu repetir mais umas 6 vezes antes de um deles arriscar t-o-q-u-i-s-p-l-a-s-m-o-z. Eu disse que não, e um outro arriscou t-o-q-u-i-o-p-l-a-s-m-o. Com mais uma negativa, uma menina mandou um t-a-x-i-p-l-a-s-m-o-s-e, e isso foi o mais próximo a que se foi possível chegar. Daí comecei a ficar com vergonha de sacanear a garotada (culpa cristã latino-americana) e perguntei se eles queriam saber como se escrevia essa palavra. Nisso, uma menina de azul, que não tinha aberto a boca até então, disse: "Ah, moça, a gente quer mesmo a prenda. Tem, não?".

Aprendam com a menina de azul: foco é tudo nesta vida, minha gente. Tudo.