quinta-feira, 25 de junho de 2009

A lua e eu.


Não é que eu tenha motivos normais pra reclamar; mas tenho alguns, à minha maneira. O fato é que eu me sinto meio na contramão da humanidade em alguns aspectos, todos eles girando em torno dos meus exóticos horários: dormir às 4h e acordar às 11h; trabalhar depois das 16h; jantar às 23h; sair, andar, conversar (quando é possível) na madrugada. Sempre tive problemas por ter predileção por essa rotina, mas resolvi parte desse meu problema de, digamos, inadequação cronológica quando resolvi ser autônoma. Mas, veja bem, resolvi parte. Pra dormir, continuo tendo sérios problemas. Mal me deito na cama, e menos de duas horas depois o universo entra em pleno funcionamento. O sol ilumina meu quarto como se fosse uma lâmpada fluorescente, as pessoas passam apressadas e barulhentas de salto alto na rua, os carros e caminhões protestam contra o trânsito na Anhanguera, a família se levanta para tomar café e ir aos seus respectivos trabalhos, as britadeiras do pessoal da prefeitura na avenida me ensurdecem. Mudar de casa, claro, seria a solução, não fosse o fato de os bairros tranquilos estarem cada vez mais povoados de gente barulhenta que se mudou para eles em busca de tranquilidade, como é o caso da ex-província de esquilos onde moro. Enfim, o resultado é que fico na cama um horário até considerável, mas, efetivamente, durmo no máximo 4 horas por noite. Nas outras duas horas, fico pensando em por que eu simplesmente não me encaixo numa rotina normal, como a maioria das pessoas. O problema é que eu gosto de tranquilidade. Gosto de trabalhar com sossego, de dirigir por aí vendo a cidade, de ouvir as pessoas que de fato me interessam, de comer sem me influenciar pela pressa que a movimentação dos restaurantes impõe. Estou cheia dessa coisa toda de cidade, da rotina imposta cadenciadamente sem pedir licença, mas também desse meu modelo alternativo, porque não consigo me encaixar numa normalidade um mínimo conjunta - exceto se eu virar parte da juventude bonita e brasileira hypada que passa a noite bebendo e dançando loucamente como se não houvesse amanhã. Ou, então, me render ao barulho programado da metrópole com a galera, como se a vida fosse um Fla x Flu orquestrado. Mas não é isso que quero; só queria um pouco mais de sossego, e um pouco mais das pessoas queridas por perto. Só que o mundo tem horário de abrir e fechar. Aí fico sempre dormindo mal e sozinha na calçada.