segunda-feira, 20 de julho de 2009

Amor com outra pessoa.

Eu não entendo de movimentos religiosos o suficiente para dissertar aqui sobre a renovação carismática da igreja católica, que lançou, entre outros, o pe. Marcelo Rossi (com seus animaizinhos que subiam de dois em dois). Mas acho que ocorre uma certa inversão de postura quando um padre se apresenta, em um canal religioso, cantando pagode. É o caso do pe. Fábio de Melo, a sensação midiática (editorial, musical, performática) do momento, que ontem, em uma emissora religiosa, soltou as cordas vocais entoando aquela música do Alexandre Pires que é o maior caô amoroso de todos os tempos: tô fazendo amor com outra pessoa / mas meu coração vai ser pra sempre teu.

Sejamos justos com o contexto: o padre utilizou a música para ilustrar a visão religiosa sobre as fraquezas da carne (no caso do padre, uma carne sempre estrategicamente sedutora, cheia de olhares certeiros para as câmeras). Mas qual o sentido em cantar uma música com esse teor (dentre tantas outras de significação duvidosa que constam no repertório do padre), em alta afinação, quando a igreja católica ainda é, supostamente, ultraconservadora - inclusive a ponto de punir com excomunhão crianças cristãs vítimas de estupro? É pra ser conservador, pra ser humano ou pra fazer amor com outra pessoa?

Mundo complicado. Vocês, que são cristãos, que se entendam.