sexta-feira, 17 de julho de 2009

Please, let me get what I want.



O meu problema com a vida é que ela vem sempre cheia de piadinha infame pra cima de mim. Em metade de um dia, consigo ser acometida pelas maiores sacanagens de que um ser humano pode ser vítima.

Começou pelo café-da-manhã. Acordei toda feliz e decidida, tendo em mente que colocaria a partir de hoje meu plano de me tornar uma pessoa saudável e equilibrada. Leia-se: acordei disposta a começar uma dieta - tão decididamente que sequer esperei segunda-feira. Daí, com o plano de tomar um iogurte com uma fatia pífia de ricota (a grande farsa do mundo dos laticínios), passo pela mesa e vejo um pacote de Bono de doce de leite aberto. Tremenda sacanagem, porque minha relação com Bono de doce de leite define bem o significado da palavra vício. Mas tentei resistir bravamente, fugindo meus olhos pela mesa afora. E, nessa fuga ocular, encontro o quê? Um provolone sorrindo pra mim. Mas sou forte: consigo superar tudo isso, pegando um copo d'água e correndo da cozinha.

Chega a hora do almoço, hora em que, de acordo com meus planos, fingiria comer arroz integral com peixe. Mas aí, claro, nego que não faz macarronada aqui em casa há uns 187 anos resolve fazer hoje. Porque não há triunfo sem provação. E eu resisti, minha gente. O maior orgulho.

Próxima etapa desse meu dia de imposições do meu eu sobre a vida (porque também acordei com essas filosofias bunitas de autoajuda) é adiantar ao máximo o trabalho com o livro gigante que está na minha frente. Então, vou lá pra varanda com o livro e 549 dicionários, me instalo bonitinha e, quando a concentração, esse pássaro selvagem, se aconchega em meus braços, a vida faz meu vizinho de instrumento para mais uma provação suprema: a prova das notas musicais (porque Silvio Santos também é referência de vida). Começa a tocar alguma coisa cujo ritmo é uma mistura louca de Sampa Crew e Milionário & José Rico. Inexplicável. Daí, espero o meu vizinho se aproximar do meu campo de visão pra lançar algo próximo a um olhar fulminante, e não é que dá resultado? O vizinho gentilmente desliga o som. E liga em seguida. Ao som de Sean Kingston, o vizinho olha pra mim e pergunta: "E agora, tá beleza?". (...)

Cansada de ser tão testada em pouco espaço de tempo, venho pro computador, onde estou livre de qualquer espécie de pegadinha do Mallandro, certo? Errado. Abro a caixa de e-mails e lá estão duas tentadoras propostas de projetos - exigindo resposta urgente. Justo quando não tenho condições de dar conta. Porque, quando estou de bobeira quase uma semana inteira, essas coisas não acontecem, claro.

Amanhã vou pro parque voltar a fazer aquela coisa toda bonita e saudável de caminhada e corrida. Mas é claro que vai chover.

É isso aí, Luciana. Não aguenta, bebe leite. Desnatado.

O grande alento, sempre, é que Morrisey me entenderia: