quarta-feira, 12 de agosto de 2009

A culpa é do sistema?

A rapaziada acadêmica e brasileira que adora pôr a culpa no sistema, esse ente desconhecido, anda em paranoia com o golpe em Honduras. E, aproveitando a deixa, vem o Zelaya ao Brasil, chorar ao "irmão rico" as pitangas de sua manobra felizmente malsucedida.

Inegavelmente, o golpe militar foi uma medida antidemocrática, mas isso não torna, sob nenhuma circunstância, almejar um terceiro mandato por meio de referendo (tornando real a possibilidade de um político se estabelecer no poder por mais de uma década) uma medida democrática, ainda que aceita pelas urnas - esse mecanismo curioso que trabalha, às vezes, com parâmetros numéricos duvidosos para estabelecer o conceito contemporâneo e democrático de "maioria".

Nessa onda bonita de ouvir a voz do povo, sobretudo o tão achacado e carente povo latino-americano, vem o queridinho dos EUA na América Latina, Álvaro Uribe, e diz que se rende à voz do povo caso o resultado de um possível referendo seja favorável ao terceiro mandato.

Democracia induzida vale como democracia? Seria, antes, algo como "golpe democrático", que parece uma tendência em voga em nosso continente em eterno desenvolvimento.

Ainda precisamos de anos-luz para ter uma população politicamente consciente, que compreenda plenamente o significado de determinadas ações políticas e o seu peso devido. Mais anos-luz ainda em se tratando da América Latina, que pegou o macete da democracia e a remoldou em formas que atendem a interesses perigosamente partidários e restritos.