terça-feira, 4 de agosto de 2009

Desafio das notas musicais.


Eu tinha tudo pra ter uma vida tranquila, pacata e cheia de lacinhos coloridos. Trabalho com o que gosto, na minha casa, no meu horário, na velocidade em que achar conveniente. Ganho o suficiente pra pagar minhas contas e comprar uma bola de sorvete à vista no fim do mês. Para os meus propósitos pouco ambiciosos e caymmianos, perfeito.

Seria perfeito (se).

Acontece que, de uns tempos pra cá (como já choraminguei ad infinitum), este desabitado e anônimo paraíso social e suburbano se tornou populoso demais e, desde então, harmonia virou só quesito de escola de samba. E daí que se tornou comum eu reclamar da vida, da vizinhança e desejar loucamente que a vizinha do inferno recém-instalada fique definitivamente surda - o provável propósito de quem ouve música em um volume acima do suportável todos os dias. Pra piorar, é como ma lil' fish diz: ninguém ouve música boa no último volume. Então, não bastasse ouvir música alta quando não quero, tenho de ouvir, sempre, o que não quero.

Aí a gente pensa numa forma civilizada de falar pra fofa que é difícil trabalhar e produzir com esse sonzinho brasileiro e gostoso no ouvido, porque nem todo mundo fica em casa à tarde só pra ver Malhação, brincar de analfabeto no MSN e atormentar a mãe, mas, depois do episódio envolvendo um outro indivíduo dessa mesma casa, fica difícil a gente achar que há alguma solução contra isso. Afinal, civilização é um conceito abstrato, e difícil de ser compatível.

Enquanto isso, permaneço na minha eterna busca pelo fone perfeito. Aceito recomendações.