quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Não faça o que eu digo e não faça o que eu faço.


Hoje saí pra brincar de gente grande e fechar negócios, apertar mãos e essa coisa bonita e madura digna de prova de O Aprendiz, depois de entender categoricamente que na prática não rola essa utopia gostosa de que é possível trabalhar só com o que se gosta. Foi bom brincar de ser seletiva e trabalhar por 6 meses só com filmes e livros adoráveis, mas um dia você consulta a conta bancária e vê que chegou a hora de parar de brincar de Holden Caulfield.

O fato é que, ainda que os 30 não estejam mais tão longe como antigamente, é difícil aceitar que não virei nada do que gostaria. Escritora, atriz, dramaturga, jogadora de vôlei, roteirista ou astronauta. Fui tudo pela metade (exceto astronauta), simplesmente por eu não gostar de me expor em relação ao que, de fato, me importa. Ter um filme que eu traduzi sendo condenado não seria tão doloroso quanto ver um texto meu olhado com desdém. Ou ser apontada nos palcos como a pior atriz de todos os tempos (Stephen Fry me entenderia). Enquanto isso, vou me boicotando, fazendo pós em Relações Internacionais em vez de Literatura, largando o curso de cinema pra comprar um carro (pra que mesmo?) e saindo do teatro pra trabalhar mais - e nem ganhar tanto assim.

No final das contas, a imagem que definiria minha vida é a da Addie, a minipilantra do filme Lua de Papel, cantarolando "Let's have another cup of coffee" (Just around the corner there's a rainbow in the sky) e, em seguida, vendo o seu mundo ruir. Tudo o que poderia ser não seria mais, em questão de segundos. Assim é minha vida, com direito à decepção por conta da casa.