sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Onde os fracos não têm vez.

A Time, a imprensa e toda a rapaziada internacional que curte o lado exótico da vida apoia e acredita que, se houver justiça neste mundo, as Olimpíadas de 2016 serão sediadas no Rio de Janeiro, até mesmo por uma questão estratégica econômica, já que o Brasil desfruta de boa reputação no G20. Esse tipo de "premiação estratégica" é comum, e justifica até mesmo decisões menores, como premiar loucamente um filme indiano em tempos em que a Índia se apresenta como potência mundial. Enfim, pouca coisa, de fato, é meritocracia; tudo é política e jogo de interesse.

O fato é que, como bem diz Juca Kfouri, é fácil agora fazer toda uma campanha para que um evento desse porte e dessa estrutura seja sediado aqui quando ao longo dos anos o esporte é tratado com descaso no Brasil. Vemos nossos principais atletas sem patrocínio, os grandes jogadores do futuro sendo levados ainda crianças para o exterior (garotos pobres que não podem se dar ao luxo de jogar sem que isso se reverta em rendimentos para a família), as meninas da seleção feminina tendo de trabalhar em times pequenos em outros países porque aqui elas não têm vez. Nada de o esporte ser valorizado nas escolas ou de ser visto como forte instrumento social, quando nada motiva e integra mais jovens sem perspectiva do que o esporte, sobretudo o coletivo. Não há essa política nestas terras de sabiás, e poucos são os Gustavos Kuerten ou Kakás que têm condições de se desenvolver competitivamente sem precisar de incentivo público para isso.

Agora temos toda essa representação otimista para que sejamos o país eleito, como se apenas o suposto espetáculo do crescimento e a beleza do Rio de Janeiro, o eterno paraíso tropical da fantasia estrangeira, fossem o bastante. As mazelas políticas, o caos, a falta de estrutura social e de segurança ficam relegados ao esquecimento neste momento em que somos um só coração, como se o Brasil fosse uma versão estendida de uma Copacabana repleta de garotas de Ipanema com Tom Jobim ao piano e seu indefectível charuto ao fundo.

O circo está armado: chegou a hora da votação.