quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Resistir é preciso, comer não é preciso.

A gente combina de não reclamar mais e tal, mas como isto aqui tem um marcador chamado E daí? eu me sinto no pleno direito de desopilar as nanoagruras desta minha vida insolente quando eu bem entender.

Eis: quando eu optei por esta vida bandida de frila, já sabia muito bem no que estava me metendo. Tem o lado bacana de poder trabalhar de pijama cafona e comer jujuba loucamente, mas acho ruim o fato de não ter um fim de mês pra chamar de meu. Assim, ao contrário dos almejados ideais de liberdade, fraternidade e igualdade, o que rola mesmo é uma eterna sensação de insegurança. Simplesmente porque eu não tenho horário para nada e, ao contrário de minhas necessidades bancárias, os valores caem na minha conta ao seu sádico bel-prazer. Até aí, tudo certo. Adoro os livros, os filmes, a revista e o mundo publicitário e não me acho mal-remunerada. Isso agora, depois de muito passar fome e bater pé ao melhor (?) estilo Vicentinho por mais dignidade salarial para o cidadão. Porque resistir é preciso, comer não é preciso. Eis meu eterno lema.

Fato é que, como se não bastasse essa violência cósmica toda, descobri hoje uma nova modalidade de perrengue profissional: a labuta por cabresto. Ilustrando a teoria com meu exemplo de vida, agora há pouco recebi um telefonema do senhor X. No começo, tudo certo: ele elogiou meu trabalho (o único que topei fazer no esquema boliviano proposto), jogou confetes e ofereceu civilizadamente mais uns tantos trabalhos a serem feitos. Que eu recusei porque hoje acordei meio Stephany, achando que sou absoluta e que se eu cobro 4x não há o menor sentido em aceitar trabalhos por 0,5x, por mais que sejam muito volumosos e frequentes. Só isso. Expliquei por planilhas, cálculos elaboradíssimos dignos de Nobel e tudo o mais, agradeci e mandei um abraço todo formoso. E aí começa a loucura: o homem surtou. Perguntou o que eu pensava da vida para dispensar tanto trabalho, se eu queria ficar milionária às custas dele e se eu não tinha consciência de que vivemos em tempos de crise. Questionou a minha visão de mundo, minhas crenças filosóficas, meus valores e tudo o que eu sei sobre o amor. Eu tentei ser delicada, porque adoro gente louca e verborrágica, e disse que mesmo em condições ideais não poderia me comprometer com a editora por conta de meus outros compromissos etc., mas quem disse que adiantou?

É por isso tudo que eu acho que a Patrícia deveria me ligar já e me restituir o equilíbrio profissional. Say the word, and I will follow you.