segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Parem o mundo.

Sobre o episódio Uniban (vou insistir no assunto porque isso realmente me incomodou): eu não via algo tão absurdo neste país desde o traje usado pela dona Marisa Letícia no desfile de 7 de setembro.

Falando sério: na minha opinião, expulsar uma aluna de uma universidade por ter passado de vestido curto em frente a uma cambada de animais selvagens é o mesmo que punir um negro por, desavisado, passar em frente a uma rodinha de racistas e tomar uma surra por isso. Por que, em ambos os casos, "houve motivo": a verdadeira essência arcaica humana foi confrontada à queima-roupa por seus preconceitos.

Então a mulherada queimou sutiã em praça pública, a Maria da Penha fez frente na luta contra a selvageria masculina, as alemãs lutaram invejavelmente pelos seus direitos de cidadãs e as nova-iorquinas operárias morreram carbonizadas por igualdade trabalhista para, em pleno século 21, haver um pandemônio numa suposta instituição educacional por conta de um vestido curto? O que mais me impressiona nessa história toda é o quanto o machismo é tão arcaicamente enraizado. Pouco importa se a loira do microvestido é tosca, quer ser atriz, modelo, dançarina ou posar pra Playboy, como muitos alegam para atacá-la; o fato é que ela foi punida por usar um vestido curto, numa instituição de ensino - o que pressupõe, a princípio, que tem por objetivo orientar, promover debate e educar, e não punir baseando-se na opinião da maioria que a sustenta. Aliás, isso só mostra no que se transformou o ensino privado no país: uma máquina de fazer dinheiro, e não de educar. A maioria pagante quer ser selvagem? Ok, apoiamos a selvageria pagando de moralistas.

Esse caso merece uma intervenção urgente, federal, se possível, pois abre um pressuposto muito perigoso: libera o preconceituoso a dar vazão ao seu ódio ao se deparar com o seu objeto de preconceito. O episódio é só uma fagulha, mas assim começam os incêndios.

Por fim, me dá uma preguiça ad infinitum do ser humano por saber que ainda tem muito homem que continua dividindo as mulheres em freiras e putas e muita mulher que continua aceitando o rótulo e apedrejando aquelas que fogem à santa imagem almejada.

Eu quero descer. Já.