terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Losing my religion.


Nada melhor do que a decadência para fazer alguém rever conceitos: depois de ter de pagar 13° para o contador, quando eu própria só pude viajar de férias em esquema franciscano, além da preocupação sobre como estariam as finanças em meu retorno - visto que férias, pra quem é frila, não significa simplesmente gastos extras, mas sim plena ausência de lucros - decidi que era hora de deixar um pouco de lado esta minha existência à bon vivant e encarar a vida de adulto que meus cabelos brancos - e as minhas contas e responsabilidades - exigem. O que significa não trabalhar apenas da maneira como eu e Groucho Marx achamos ideal e justa, com meia dúzia de trabalhos divertidos e bem remunerados, mas sim da maneira como tem de ser. Porque o mundo não é mesmo justo, Calvin.

Eu me sinto um pouco o Lobão gravando acústico na MTV depois de décadas a fio desopilando o verbo contra a emissora, ou como a Luana Piovani fazendo aparição picareta na Globo depois de dizer que lá os funcionários são tratados como operários numa fábrica de pizzas etc. Mas quem se importa? Eu é que não. Quero mais é dormir em paz e tirar férias sem me preocupar com o amanhã.

Então, comecei a trabalhar hoje no bom e velho regime escravista CLT, horário integral, esquema boliviano, salário de artista decadente. Mas, apesar de todas as minhas expectativas negativas, até que rolou uma certa empatia por minha mesa, minha sala e o trabalho. E a perspectiva de ter as contas devidamente pagas no fim do mês.