sexta-feira, 5 de março de 2010

Muita estrela, pouca constelação.

Num jantar de uma noite qualquer, Eike Batista doou 7 milhões de dólares ao projeto excêntrico e de cunho social da Madonna - quantia que, provavelmente, não representou desfalque perceptível em seus mútliplos XXXXXXXX dígitos bancários. Aí vem a ONU, com a maior pompa e estardalhaço dizer que vai doar 10 milhões de dólares para a reconstrução dos estados afetados no Chile. A ONU, a.k.a. Organização das Nações Unidas, a.k.a. representante de 192 países-membros. Daí, se 192 nações representadas conseguem, "unindo esforços", doar 10 milhões, e Eike sozinho 7 milhões (em plena crise financeira), o empresário brazuca tem o potencial financeiro suficiente para representar o equivalente a 134,4 países na organização. O que abre espaço a duas possibilidades: Eike Batista tem aparato monetário o bastante para ser um Estado-nação participativo - ou, antes, algo como uma OMHS (Organização Megalomaníaca de um Homem Só) e fazer sozinho pelo mundo - e muito melhor - o que a ONU acredita fazer bem (dar esmolas com pompa), ou; a ONU deveria dar um pé em Ban Ki-moon e eleger Madonna a nova secretária-geral da organização - o que seria sinônimo de mais glamour, reuniões divertidas, Jesus Luz nas picapes de todos os eventos e doações ultragenerosas.