quinta-feira, 29 de abril de 2010

Burn, baby, burn.

É sempre bastante curioso lidar com pessoas que têm o estranho hábito de lançar indiretas pretensamente sutis. Fico sempre pensando se essa rapaziada já parou pra pensar que há, basicamente, duas possibilidades em relação ao interlocutor: 1. A pessoa entender e se sentir ofendida – nem tanto pela ofensa em si, mas por ter sua inteligência subestimada; e 2. A pessoa não entender e, consequentemente, a mensagem não fazer nenhum sentido – fazendo com que o locutor, além de não atingir seu objetivo, passe por louco. Há, claro, casos patológicos em que o camarada acredita entender o recado e transforma a situação em um filme de David Lynch, e casos em que o ofendido acredita que a indireta é para outra pessoa e desanda a desafogar todo o ódio do seu peito recalcado num terceiro. E tem também o indivíduo que vê indireta em absolutamente tudo o que lhe é dito, acreditando que o mundo é uma eterna conspiração intergalática contra si. Mas o resumo da coisa é que não dá pra sair falando a verdade por aí à queima-roupa – e mais irritante do que indiretinha primária é a turminha do cem-por-cento-verdadeiro (seu narizinho, amado) –, mas omitir é sempre uma opção viável, principalmente para quem a sua opinião não tem a menor pequena mínima importância.