sexta-feira, 30 de abril de 2010

A melhor banda de todos os tempos da última semana.

Nada melhor para ressuscitar este marcador do que "Born Free", pancada da M.I.A., espécie de funkeira engajada do Sri Lanka - ao menos foi a essa conclusão que cheguei em sua apresentação no Tim Festival de 2005, ano de lançamento de seu álbum Arular.

O clipe da música, que foi o assunto desta semana, com direito à censura do YouTube e muita polêmica, foi dirigido por Romain Gravras (filho de Costa-Gavras, diretor de filmes ultrapolitizados) e manda o recado sem rodeios: questiona à queima-roupa a capacidade de ainda se importar com a violência - inclusive no meio musical. Não é para menos: em pleno século 21, convive-se pacificamente com covardias como o estupro de vítimas como tática de guerra (apenas no final do ano passado a ONU aprovou uma resolução contra essa prática, sem, no entanto, apresentar meios efetivos para combatê-la). Imigrantes, negros e pobres são assassinados covardemente e ainda recebem o título póstumo de bandidos para justificar as estatísticas, numa modalidade contemporânea de holocausto, enquanto nos confortamos com a ideia de que aumentou a criminalidade - quando, na verdade, foi a intolerância que não diminuiu (só mudou de metodologia), fomentando a violência global.

Se "Born Free" não valer como experiência musical, ao menos vale como experiência política.