terça-feira, 13 de abril de 2010

O limite da maldade.

Meu pai sabe uma série infindável de estórias envolvendo Lampião e companhia. Já ouvi um zilhão delas, e sempre foram as minhas favoritas (infância hardcore), mas a que mais gosto é a de uma invasão em que, depois de pilhar geral, os cangaceiros exigiram que a dona da casa fizesse um banquete para eles. Depois de horas cozinhando os pratos mais sensacionais da galáxia para tentar agradar à rapaziada (e salvar sua vida), sentaram-se todos à mesa para comer, e a mulher, ansiosa, perguntou se a comida estava boa. Como resposta, um dos cangaceiros disse que não estava satisfeito, porque a comida estava malcozida e sem sal. Lampião, indignado (porque no peito dos desafinados também bate um coração), pede uma panela de sal à mulher e exige que o resmungão o coma puro antes de os demais terminarem a refeição. O fim do camarada é trágico e o cangaço não foi necessariamente um movimento educativo, mas gosto dessa história porque mostra que tudo tem que ter um limite, até a maldade.