sexta-feira, 30 de abril de 2010

Procrastinando até o chão.


Ultimamente, tenho 24 horas por dia a companhia do mais curioso tipo de grilo falante que alguém poderia ter: minhas mãos. Do fim de 2008 pra cá, toda vez que minha vida está bandida demais (e de lá pra cá minha vida teve períodos BEM bandidos), minhas mãos começam a ficar feias. Lil' fish está há um bocado de tempo tentando me alertar sobre isso e, embora eu tenha me esmerado pra fazer ajustes, a situação só tem se agravado. Nos últimos dias, por exemplo, disse a um estranho que era anoréxica (em vez de disléxica - nada mais autoexplicativo que errar a palavra), telefonei toda nervosinha pra número errado, chamei minha mãe pelo nome de meu pai, bloqueei a senha do cartão que tenho há séculos e mandei sms com insanidades amorosas pra um amigo - em vez de, obviamente, mandar pro namorado. Isso porque já deixei o hábito de trabalhar mais de vinte horas por dia e de trocar com louvor o dia pela noite. Agora, o meu projeto de vida a curto prazo é não trabalhar mais de dez horas por dia; a médio, não mais de oito; a longo, não mais de seis, e só com coisas realmente fabulosas. O que significa, obviamente, que estarei disputando com mendigos a ponte mais próxima em breve. Mas não importa: estou tentando reabilitar minha saúde, mas não está fácil. Penso uma coisa e falo outra, tenho de reler umas tantas vezes o que escrevo e estou constantemente sensível. Pra reverter a situação, voltei a ter um emprego fixo, abandonei alguns frilas e estou tentando fazer mais coisas legais, ver mais os amigos, chamar a rapaziada pra almoçar em casa, ler coisas de que gosto, fazer cursos divertidos. Enfim, estou fazendo todo o possível pra deixar de procrastinar a vida agradável (porém mendicante) que posso ter. Mas, por enquanto, minhas mãos continuam me olhando de rabo-de-olho, dizendo que tenho um longo caminho a percorrer. Torçam por mim.