quinta-feira, 15 de abril de 2010

Um clube que me aceita como sócio.


Não gosto de entrar em discussões com fins classificativos em que o tema seja "o melhor" (filme, disco, livro, banda ou galã de novela), porque o que raios é o melhor no fim das contas senão aquilo que, de alguma forma, se aproxima tanto de você que até parece coisa sua? Então, acho deplorável ter que dar satisfações sobre meus gostos pessoais, como se o fato de algumas preferências estarem fora de um suposto ranking mundial inabalável fizesse de mim uma alienígena; como se o fato de não conhecer certas coisas fosse uma deficiência lamentável. Um dos meus livros favoritos, por exemplo, é O bebedor de vinho de palmeira e o seu vinhateiro morto na Cidade dos Mortos (provavelmente o maior título literário da história), um romance africano insano que pouca gente leu - ou que não causou lá muita comoção. Não é Crepúsculo ou O Caçador de Pipas; não é Ulisses ou Grande Sertão: Veredas. Meus gostos pessoais não têm nada a ver com tendências populares ou intelectuais; têm a ver comigo, e só. E podem (ou não) mudar, variar e se atualizar quando eu bem entender, sem maiores satisfações porque, afinal, os cabelos caem, a vida passa.


Não faço avaliações sobre o que não conheço e, da mesma forma, não gosto que venham com longos discursos ceguetas sobre as coisas de que gosto. Sou ranzinza, levo pro lado pessoal, porque tudo o que gosto é um pouco meu e, afinal, por que raios as pessoas se metem tanto a falar sobre o que não conhecem? Deixem o desconhecido em paz - ou peçam sua identidade e tomem um café com ele.

O tempo é curto daqui pra frente, e eu só preciso ler, ouvir e ver o que eu achar que preciso. É por essas e outras que eu também não aceito a credencial, Groucho: entrar para clubes é ter um compromisso virtual com estranhos que, a qualquer momento, podem tornar sua vida irremediavelmente chata demais.