segunda-feira, 31 de maio de 2010

Para Marina N.


Preciso reler três ou quatro livros que me fazem falta, o tomate-cereja e o bonsai morreram e a minha cabeça dói. Sinto o tempo passar como uma mão inconveniente no meu ombro. Eu já falei tanta bobagem por aí achando que independência fosse correr além do meu limite, mostrar isso ou aquilo a tanta gente que não me interessa. A tanta gente que não me diz respeito, de olheiras fundas e botas estranhas. Eu quero cuidar das minhas plantas, ler os livros da estante, escrever o dia todo sem olhar pro relógio, fotografar os pavões do parque, desenhar, mandar postais. Preparar uma refeição decente, decorar a mesa com flores e velas coloridas. Quero colocar os quadros na parede e passar uma tarde inteira com você, sem ponteiro nenhum, sem condenações, sem descontos na folha de pagamento. Sem culpa. Tenho tantos filmes legais pra te emprestar e um vestido novo que quero muito que você veja. Lembrei de você quando o escolhi. Na verdade, lembro de você o tempo todo. Sinto a sua falta.