terça-feira, 6 de julho de 2010

O som do silêncio.

Eu tenho ouvido, visto e lido tanta coisa por aí que tem sido impossível não preferir o silêncio. No fim das contas, tudo é uma questão de caráter: seja quando você ouve meia dúzia de moleques dentro de seus conversíveis em Alphaville chamando de "domésticas", com ares de ofensa (!), qualquer mocinha mais modesta que atravesse as ruas no horário de almoço, como se a diferença e a simplicidade fossem um mal, uma doença a ser extirpada e condenada; seja quando você exercita pequenas intolerâncias acreditando serem necessárias ou inofensivas. Não, não são, porque não há graus e nuances de violência. Está tudo dentro do mesmo saco podre e sem fundo. Ser contrário à intolerância exige um exercício absurdamente imenso para que ela não comece por você.

Ao contrário do que dizem por aí e eternizam nos livros, você só é diferente na dor, em nada mais. Todo o resto é uma tentativa apoteótica e ofensiva de fugir da grande e eterna massa amorfa em que todo mundo está fatalmente embolado. É
por isso que eu queria pedir desculpas por qualquer mínima bobagem intolerante que eu já disse e escrevi. A razão é sempre a pior companhia para os intolerantes, e eu quero evitar tudo o que remeta à minha razão e, principalmente, à dos outros. Não quero fazer parte o mínimo que seja, ativa ou passivamente, de qualquer coisa que eu abomine.

Muita
coisa muda daqui por diante - assim espero.