terça-feira, 27 de julho de 2010

Quem dera ser um peixe.

Como tem uma ACM aqui pertinho de casa, lil' fish e eu decidimos nos inscrever (num "plano família" e tal, toda uma ternura embutida) e, depois de algumas semanas para chegar à conclusão de que eu não conseguiria conciliar vôlei, pilates, yoga e natação com meu escasso tempo vago, decidi apenas jogar vôlei, esporte que pratiquei durante sete anos e que bancou minha faculdade. No entanto, a decisão foi péssima, porque bastou um mísero treino para eu passar uma semana inteira terrivelmente dolorida. Achei que os tantos anos de voleibol e força falariam mais alto que os meses de fisioterapia e os subsequentes anos de sedentarismo e engorda (uma coisa assim, meio Fenômeno), mas me enganei. E isso foi muito frustrante, porque é bem ruim identificar qualquer tipo de limitação, principalmente em relação a algo que você dominava.

Alguns dias depois, bastante chateada e com medo de sofrer lesões definitivas, aboli o plano e decidi fazer apenas natação. Ah, sim: eu não sei nadar. Como fui criada no asfalto, caindo de bicicleta, empinando pipas, jogando taco, bandeirinha, andando de skate (feminilidade mandou lembranças), nunca me importei em saber nadar, mesmo porque a piscina de plástico que meus pais montavam no verão não oferecia grandes riscos, e praia, essa mistura de gente descolada encenando comercial de cerveja + sol a pino, nunca fez o meu tipo. Mas desde que conheci lil' fish, que faz jus ao nome e adora qualquer coisa que envolva água, tenho repensado a questão.

Por fim, ontem decidi me inscrever, e já tive a primeira aula. O nível básico noturno ("adaptação ao meio aquático") conta basicamente com duas alunas: Dona Neusa, uma senhora de seus setenta anos, e eu. Enquanto a nata da ACM treinava braçadas dignas de Phelps nas primeiras raias, Dona Neusa e eu nos divertíamos em nossos exercícios de respiração e equilíbrio, segurávamos uma à outra, dávamos encontrões e tomávamos broncas do instrutor por fazer corpo mole. Tudo muito leve, muito divertido, muito tranquilo. No final, saí da piscina feliz da vida, relaxada, e com uma satisfação muito além da aula, porque eu entendi que a natação, provavelmente, não vai oferecer a sensação de prazer que uma bola perfeita batida dentro da linha dos três oferece; mas, por outro lado, não vai exigir mais força do que eu tenho nem exigir fúria e perfeição: tudo vai ser apenas um grande passatempo. Sem cobranças, sem desgastes, sem frustração e sem mais uma série de coisas que a vida já enfia em nossa goela abaixo todo dia.

No fundo, acho que nunca vou desistir de uma boa quadra (porque tem muita fúria aqui dentro que eu preciso colocar em algum lugar), mas, no momento, o que eu quero é rir muito com a Dona Neusa.