terça-feira, 3 de agosto de 2010

Educação a distância.

Eu sou esse tipo de gente muito esquisita e ultrapassada que tem uma série de restrições com relações virtuais. Não tenho facebook, orkut, twitter e deve fazer pelo menos 2 anos que não acesso o MSN. Troco e-mail vez ou outra com amigos - o que é trágico, porque não sou muito de telefonar, e telepatia tem funcionado cada vez menos com a rapaziada. Tudo, basicamente, porque não gosto da ideia de ter que estar sempre disponível e acessível, onisciente e onipresente em relação à vida alheia, de ser um avatar 24 horas, ainda que eu passe boa parte do dia em frente ao computador, por conta do trabalho. Essa questão me incomoda tanto que até pouco tempo atrás eu me irritava profundamente com o fato de alguém estar conversando comigo e, de repente, o celular tocar e a pessoa atender. A mesma coisa quando estou sendo atendida em algum lugar e alguém é atendido via telefone na minha frente. Hoje lido um pouco melhor com tudo isso, troco leituras e figurinhas pelo Reader e tal (puff, "clap, clap, que avanço, menina!"), mas sempre achei esse lance de virtualidade inconveniente demais para a minha vida pessoal. O limite é ter um blog sem caixa de comentários, pelo qual eu faço o exercício constante de não relegar ao completo esquecimento o que eu sinto - porque eu penso infinitamente mais do que falo. Mas, apesar de não ser adepta do excesso de virtualidade na vida pessoal, tenho achado cada vez mais bacana a possibilidade de o mundo cibernético tornar a vida mais prática em muitos sentidos. (Se a internet fosse mais segura, por exemplo, banco só deveria existir na modalidade eletrônica. Assim como todos os setores públicos.)

Nunca gostei muito da ideia de trabalhar diretamente "com público", e por isso sempre procurei funções que fugissem disso (tradutora, revisora, redatora), mas algo de que eu sempre gostei foi da área de educação. Um problema, no entanto, é que adoro ensinar, mas detesto ter de bancar a comediante barata para chamar a atenção de aluno. Então, nesse sentido, tenho achado bárbaro esse lance de educação a distância. No início do ano comecei a trabalhar no setor de EAD de uma universidade, na área de pós-graduação (não como docente, mas no setor pedagógico), da qual acabei de me desligar para assumir um projeto de uma instituição bem legal, e agora na parte de tutoria (ensino). O bacana é que não só vou lidar com educação a distância, como o trabalho também será fora da instituição (vou voltar para o meu escritorinho querido, a uma parede do meu quarto!). Para minha mãe, por exemplo, parece sempre trágica a ideia de trabalhar em casa sozinha (e ela liga todos os dias preocupada), mas eu sempre achei que a melhor forma de obter alto nível de concentração e de organizar e aproveitar melhor o tempo é no esquema home-office. Também acredito que isso seja válido com relação ao aprendizado: é muito mais motivador estudar com liberdade, sem tratar o ensino como a obrigação massacrante ao qual é associado - e isso explica os índices cada vez piores de desempenho no Provão.

Educação acadêmica tem sido, para boa parte dos alunos, mais o equilíbrio eterno entre faltas e notas mínimas em busca de um diploma do que aprendizado e pesquisa. Não que a EAD seja uma solução para a educação, mas a perspectiva é diferente: respeita horários, limites, estimula a autonomia e favorece a concentração, entre outros fatores dos quais a educação presencial tem se afastado. Para mim, essa modalidade de ensino parece promissora, embora ainda seja bem embrionária por aqui. Vamos ver quais serão as minhas impressões daqui para frente.