terça-feira, 24 de agosto de 2010

Quando tudo vira vento.

Esta noite sonhei que havia uma festa muito especial aqui no apartamento. Apesar do pouco espaço, tinha umas trinta pessoas, e o mágico foi que estavam presentes exatamente todas as pessoas mais queridas que conheci: amigos de infância, do colegial, da faculdade, do teatro, da rua, parentes, namoradinhos, professores. Rolou espaço até pro tiozinho da brasília que vendia doce na saída do primário, e estavam aqui também uma menina que saiu rolando com uma grandalhona que queria me bater na segunda série; a Kyoto, que só conheci virtualmente pelo grupo de cinema; e meu saudoso padrinho caminhoneiro que me erguia com um braço só. A Marina, que não vejo há um ano; a Débora, que não vejo há três; o André, que não vejo há cinco ou seis; a Paula, que nem sei por onde anda; minha avó, que morreu sem que eu tivesse conhecido sua casa. A Kelly, a gatinha que apareceu lá em casa e eu adotei. Todos eles felizes e gratos por receberem notícias e o convite, e todos com roupas coloridas. Eu também estava bastante feliz, mas sem entender bem a situação, porque eu não havia convidado ninguém.

Daí acordei melancólica pensando na minha habilidade absurda de deixar as pessoas para trás, de sumir, de não dar notícias, de perder telefones ou não ligar, visitar ou mandar cartas. De procrastinar encontros, negar convites, deixar pra próxima. Esse sonho me pareceu uma despedida de tudo o que eu poderia ser, mas que eu não sei ser, embora eu tente às vezes - sempre no começo de tudo. Eu não sei dizer a tanta gente o quanto elas são especiais e o quanto aprecio (e preciso) ser querida por elas. E, assim, tudo vira vento.