terça-feira, 31 de agosto de 2010

Que timinho fuleiro, só tem filho de padeiro!

Foto: Gabriel Uchida

Eu sempre quis ir a um jogo de futebol em estádio, mas a rapaziada amiga que curte jogos ao vivo sempre foi de assistir a clássicos (ou a partidas com times grandes e torcidas selvagens), então nunca me aventurei a ir. Este sábado, no entanto, lil' fish sugeriu que fôssemos ver um jogo no Canindé, esse império decrépito que, além de ficar relativamente perto de casa, também ia abrigar um jogo tranquilo da série B do Brasileiro: Portuguesa x Bahia. Convidamos meu pai, que, para nossa surpresa, topou na hora, e assim fomos todos em ritmo de festa que balança o coração para o estádio. Como chegamos em cima da hora e o primeiro acesso era ao da torcida do Bahia, fomos para lá (e, olha, melhor escolha impossível, porque deve ter poucas coisas tão divertidas na vida quanto assistir a um jogo do tricolor baiano ao lado de sua torcida).

A primeira coisa que me chamou a atenção ao entrar no estádio foi o fato de todas as faixas e bandeiras da Leões da Fabulosa (torcida da Portuguesa) estarem de cabeça para baixo. "Deve ser algum protesto", disse lil' fish, mas não deixa de ser uma piada pronta você ir a um jogo da Portuguesa e ver que colocaram tudo ao contrário. Depois, fiquei surpresa com o número de torcedores baianos presentes. Toda a bancada de visitantes estava tomada, em uma partida cujo público estimado foi de 4.600 pagantes, dos quais 2 mil eram torcedores do Bahia.

A Bamor e o Terror Tricolor (torcidas do Bahia) se destacavam da Leões da Fabulosa pela cômica arte do esculacho: o juiz era chamado de "exu safado"; a mãe dele de "rapariga desassistida"; os jogadores de "satanás encaramulhado", "macumba chutada pelo curupira" e mais umas tantas coisas que me arrependi de não anotar. Da parte da Leões, o esquema era cantar e tocar o terror com sua bateria forte e ensaiada. Quando ofendia o time adversário, recebia vaias dos baianos, ofensas como "filhotes de cruz-credo com sardinha podre" e respostas cantadas como "que timinho fuleiro, nunca ganhou um brasileiro" e sua variante "que timinho fuleiro, só tem filho de padeiro".

Como foi a primeira vez que fui a um estádio, fiquei com receio de levar máquina fotográfica, então não tenho nenhuma foto pessoal dessa divertidíssima partida que acabou em um merecido 4x2 pro time do Bahia F.C. De qualquer modo, mesmo sem registros, a experiência foi muito legal (em especial por eu estar com os dois homens da minha vida) e pretendo repeti-la muitas e muitas vezes. Recomendo a todos!

A quem se interessar, dá para ver os gols no vídeo abaixo.