segunda-feira, 20 de setembro de 2010

O palhaço, o calhorda e a diarista.


Mais uma vez, a sensação das eleições tem sido (sub)celebridades que se candidatam, e daí me pergunto por que diabos nenhum segmento ou órgão sério abriu espaço para uma discussão consistente sobre a responsabilidade ética das legendas com relação às candidaturas de seu partido. Basicamente, acredito, porque não é interessante para ninguém, uma vez que todo candidato bonitinho mas ordinário atende aos anseios de pão e circo da rapaziada em geral: um "famoso" bem votado atrai votos para canalhas de marca maior em sua legenda (pão) e ainda satisfaz a ânsia de entretenimento do brasileiro, guerreiro, brahmeiro (circo). Já li bastante por aí defesas ferrenhas em favor de candidatos como Tiririca e Frank Aguiar (de novo?!?) dizendo que a provável votação expressiva que receberão nas urnas é uma forma de protesto do cidadão cansado de ser roubado, enganado blá-blá-blá. Seria até bonita a ideia, e uma boa forma de protestar, não fosse o fato de, por exemplo, essas mesmas pesquisas indicarem candidatos como Paulo Maluf "bombando" nas intenções de voto. Nesse caso, qual é o protesto? Basta de roubar e não fazer uma rodoviazinha sequer? Basta de estupradores que matam? Não entendo a mensagem.

Fato é que fico absurdamente ofendida por ver candidatos incríveis e sérios, como a Erundina, por exemplo, à margem de candidaturas precárias. Há todo um bordão na boca do povo de que "político é tudo ladrão" que poupa à maioria o trabalho de buscar alguém competente em quem votar. Há, sim, uma meia dúzia (e, talvez, infeliz e literalmente meia dúzia) com bom histórico e bons projetos. Na ausência desses, acho justo apostar em candidatos novos com propostas - ao menos limpamos um pouco o esgoto podre da política tupiniquim. O que não dá é votar em indivíduos comprovadamente calhordas ou em candidatos engraçadinhos que não têm nenhum projeto consistente e aplicável. É como contratar uma diarista que deixou claro que vai apenas assistir tevê durante o expediente, nada mais, e depois reivindicar adolescentemente os seus direitos (aquele papo de cadarços etc.).


E, só para constar, eu adoro o Tiririca. Mas na Câmara, não, abestado.