quarta-feira, 8 de setembro de 2010

O pedreiro cubista, procrastinação cósmica e safadezas generalizadas.

Rolou uma inundação bíblica na colônia nipônica (hipérbole zero) que fica acima do nosso apartamento e os dias têm se transformado numa tentativa insana de restabelecer a dignidade do cômodo destruído aqui por conta de uma infiltração. Acontece que, basicamente, o condomínio institui que sejamos reféns de um pedreiro-funcionário desapegado a votos reacionário-sociais (horários e combinações prévias) para realizar serviços de reparo, então, a vida tem se tornado uma saga transpsíquica em busca da dignidade perdida. Em geral, minha paciência é quase tão sem-limites quanto o cheque especial do Eike Batista - mas atente ao "quase": tem uma série de situações, sempre envolvendo burocracias, às quais o quesito paciência não comparece nem sob pena de apedrejamento. Pra encurtar a história, após quase dois meses de provações, promessas ciganas e ranger de dentes, parti pro esculacho generalizado e verborrágico e, voilà, cá estão as obras relativamente acontecendo, apesar de toda a metodologia cubista aplicada pelo pedreiro.

E aí hoje, por conta de uma meia dúzia de expectativas que não dependem (só) de mim para se concretizar e que se arrastam há tempos, tenho pensado em como minha existência seria mais simples se eu pudesse aplicar esse mesmo modus operandi a cada mínima procrastinação cósmica que ocorre em minha vida. Eu basicamente passaria parte significativa da semana gritando e blasfemando contra o cosmos, os deuses, os orixás e os gnomos de São Thomé das Letras, mas me deixaria feliz a possibilidade de ser atendida. Por enquanto, minhas expectativas se especializaram em safadeza generalizada, e pouco se importam se faço juras de amor eterno e cafuné ou se grito e digo umas boas verdades sobre a progenitora volúvel de cada uma delas.