quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Maturidade profissional: procrastinamos.

Depois de toda uma confusão envolvendo uniformes e erros gramaticais de grosso calibre advindos de entidades intelectuais supostamente superiores, estou aqui, do alto de meus 29 anos, pensando em profissões que gostaria de ter (maturidade profissional: procrastinamos).

A questão é que me sinto uma grande perdedora não pelo fato de não ter um emprego cujo salário de 10 mil reais me permita chutar o traseiro de meia dúzia de bajuladores ou depressivos sem autoestima; a questão é que me sinto perdedora por nunca ter trabalhado com algumas profissões que realmente me agradam.

Ainda na faculdade, quando eu faturava uma grana fazendo tradução pra rapaziada que hoje, certamente, traduz as maiores barbaridades por aí, envergonhando a categoria e a fé de alguns na humanidade, meu grande projeto profissional consistia basicamente em trabalhar em uma locadora fabulosa e pequena que apresentei a amigos escolhidos a dedo – porque tenho ciúme doentio dos lugares de que gosto. E isso poderia ser apenas uma memória sapeca e faceira da juventude, mas, não: esse projeto (ainda) é a realidade.

Além desse plano eternamente wannabe (trabalhar em locadora), acumulo outros tantos: trabalhar em biblioteca, em livraria, virar caminhoneira, dramaturga ou sommelier (eu queria muito que houvesse um termo decente em português para isso que não fosse "escanção" acho muito deslumbre barato termos emprestados do francês).

Veja, a questão não é que eu não goste do que faço – traduzir, revisar e eventuais et ceteras; eu adoro. É tudo uma questão de variedade e romantismo. Ok, na mesma modalidade monetária eu poderia almejar também ser um monge franciscano ou filósofo.

Desculpa, mãe, prometo estudar publicidade na próxima encarnação.