domingo, 10 de outubro de 2010

SWU: decepção.

Hoje é o dia em que eu poderia dizer que os shows do Mars Volta e do Rage Against the Machine foram as apresentações do século, por conta da performance excepcional das bandas, mas a organização do SWU conseguiu transformar a noite de ontem em deplorável e frustrante.

Com qualidade de som extremamente precária, baixa e oscilante, as apresentações incríveis, com repertório e execução matadores, se transformaram em confusão, iniciada pela insatisfação do público com esse aspecto, e não por vandalismo (que, de fato, não houve), como noticiaram - e pior o G1 e outros tantos, que sequer "perceberam" - $erá? - que houve problemas sérios de som e organização.

(Em tempo: este texto e o material sobre o festival do Uol estão bem elaborados.)

Não conseguir ouvir a banda que está no palco já é problema grande e significativo o suficiente para um evento do porte do SWU, mas dá pra citar também a falta de estrutura e organização em um projeto de bandeira altamente sustentável, pacífica e correta. Embora noticiado que haveria sinalização ampla conduzindo até a Fazenda Maeda, o que se viu foi ausência de indicação em pontos estratégicos ainda na rodovia (em bifurcações, por exemplo), estacionamento com rota de saída única, e, portanto, mal planejado, que gerou fila de quase duas horas aos milhares de veículos presentes no local, além de ausência de revista adequada no acesso ao festival, mesmo em se tratando de apresentações potencialmente problemáticas, vide manifestações da juventude desenvolvida em redes sociais, ameaçando invadir área vip ou queimar bandeira no show do RATM (arre!). Ao meu namorado, por exemplo, que estava com mochila, apenas perguntaram se ele possuía arma de fogo, faca ou canivete, vejam bem. Nada de revista.

Assim, todo o discurso politizado de Zack de la Rocha em favor do engajamento de países de terceiro mundo, a conscientização sobre a questão da exploração por países desenvolvidos e até um aceno simpático aos "irmãos e irmãs" de MST (com direito a boné do movimento na cabeça de Tom Morello) passaram batidos. Além de todos os problemas de infraestrutura, a ordem da rapaziada era beber (muito), fumar (muito) e curtir um "som pesado" - que, muito antes, é um som engajado.

O resumo desse primeiro momento de apresentações foi uma noite cansativa e frustrante. Meu namorado, que esperou anos para ver o show do RATM, banda da vida dele (sinto inveja de ter uma banda da vida) saiu absolutamente decepcionado, e é essa imagem inicial que o SWU gerou: decepção. Resta agora a (má) expectativa de como será a estrutura para os shows de segunda-feira (Pixies!). Medo.