quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Expectativas.


At the interval you lock yourself inside a room

Head of English gets you, ask you, "What the hell do you think you're doing?

Do you think you're better then the other kids? Well, get outside"

You've got permission, but you've got to make the bastard think he's right


Eu não sou muito de ter guarda-chuvas. Tive um branco com um polvo pequeno desenhado em um canto, um preto de bolinhas brancas e, o meu preferido, um amarelo (minha cor favorita), que acaba de quebrar. Daí, aproveitando esses dias surrealmente quentes, comprei uma sombrinha, dessas minúsculas, à qual também deleguei a função de guarda-chuva, quando necessário.

Com essas tantas chuvas que refrescam a cidade nos últimos dias, tenho usado a nova aquisição apenas na segunda função, e isso poderia ser só um episódio corriqueiro e desimportante na minha vida – na sua será, compreendo – não fosse a pequena amolação que isso tem me causado: as pessoas ao me redor ficam indignadas ao me ver circulando de sombrinha em pleno temporal – ou mesmo para sair em dias de chuva rala. Por mais que eu argumente que gosto de chuva e que para garoas um miniguarda-chuva me basta e, em casos de tempestade, pouco importa o tamanho, o clamor geral é para que eu saia com um objeto maior. Hoje mesmo uma colega foi inconveniente – na tentativa de ser agradável e maternal – tentando me forçar a sair com seu guarda-chuva gigante.

Recusei delicadamente a oferta (e a colega ficou chateada) e fiquei, então, pensando em como, inúmeras vezes na vida, na tentativa de serem amorosas e cuidadosas, as pessoas tentam impor coisas que mostram, antes, incompreensão sobre quem você é, e não preocupação.

É difícil eu explicar que quero apenas pagar as contas, cuidar das plantas e viajar, e não empregos megalomaníacos que suguem cada mísera gota do meu suor; que não me importo com o aluguel desde que eu não tenha de comprometer o fígado até o fim da minha existência para comprar um quarto-e-sala; que não me importo de andar a pé ou de metrô, porque quero tranquilidade; que nunca quis ser a primeira da classe nem a oradora da turma; que gosto de comer sozinha e andar à noite por ruas abertas. Agora, também é difícil explicar que não quero um guarda-chuva grande. Não quero andar acotovelada pelas ruas, furando as testas, sem saber o que fazer com aquele trambolho encharcado entre os pés. É tudo muito simples e muito pequeno e perdedor para você, campeão , mas tenho a impressão de que ser diferente, mesmo quando se quer muito menos do que o consenso (o que quer que seja), e mesmo quando não se afeta absolutamente ninguém, é sempre arrogância, isolamento, burrice. Não é uma opção válida, não pode ser.

Eu não quero expectativas que me obriguem a ser diferente do que sou, sabe? Mas vem o mundo dizer que eu não sou digna de merecer o que não interessa a ninguém. Mesmo que isso envolva apenas uma sombrinha.