quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Sonho.

Fui à casa dos meus pais resgatar o carro pra fazer a inspeção veicular, porque ligaram ameaçando tomá-lo se eu não o fizesse ainda hoje. No meio do caminho, o contador me liga dizendo que caí na malha fina e preciso ir urgentemente à receita federal – e mudo o rumo e vou à contabilidade, que é, na verdade, uma igreja, e o contador é o Frank Black, que me chama com um “hey!”, e eu aumento o volume do som que nem estava ligado e a gente canta junto e, como sempre, eu erro a segunda parte e desafino e dou risada. Depois ele me diz que está na hora de eu parar de fazer bobagem, pergunta por que trabalho numa faculdade de gente fresca – antes a anterior, de gente lesa, ele diz – e me chama pra ir surfar com ele em SC. E eu digo que tenho o plano de queimar todas as contas do próximo mês e que preciso terminar um livro e ele diz que parou de escrever quando aquele cara necrófilo do conto do Bolaño ligou pra ele e eu digo que o cara é só um personagem, mas não consigo terminar de explicar porque alguém chamou a polícia, que me algema e eu não entendo nada, digo que sou otária e pago tudo em dia, que só pensei em matar, mas nunca matei, nem mesmo aquele ex que virou bombeiro e acredita nas instituições, e eles dizem que vão me prender por isso mesmo, porque eu sou otária. E o Frank Black canta alguma coisa baixinho e eu o mando calar a boca e exigir que me soltem, mas o despertador toca e o Felipe já foi embora e, por algum motivo, eu estava coberta com edredom neste calor de 50°. E eu começo a anotar tudo isso e a pensar que, sim, eu sou mesmo otária e preciso deixar de abandonar sistematicamente o pouco em que ainda acredito.